quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Uma proposta honesta

— Tenho estado para aqui a pensar… Tu andas triste, eu ando aborrecido, tive uma ideia do que podíamos fazer os dois…
— Ai não, não acredito, mais ideias não! O que é agora? Outra vez o clube de leitura? Se calhar da República… um clube de cavalheiros? uma sala de bilhar? um… blogue…?
— Tudo muito boas ideias, por sinal.
— Nada disso, tudo péssimo. Eu fico com a minha tristeza, tu goza o aborrecimento, que tens toda a eternidade para isso. Estar aborrecido, estar chateado, como não nos deixavam dizer em tempos, isso é bom, até delicioso, porque…
— Chega, pára com essa merda e ouve a minha ideia. Podíamos, simplesmente podíamos, ouve bem, simplesmente podíamos encenar a psicanálise que não fizeste…
— !!
— A sério! Eu fazia de analista, tu de analisando.
— Analisando? Não sei se gosto do nome…
— Preferes “cliente”? Pode ser, mas assim vais ter de pagar.
— Pensei que era uma encenação…
— E é, claro, mas nem por isso deixa de ser uma proposta honesta. Eu sou um tipo sério.