terça-feira, 24 de abril de 2007
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Longa vida aos espirituosos*!
I am not young enough to know everything.
Oscar Wilde
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 21:17
O enguiço
– Ai D. Augusta, que anjo que é!
Ela ria; chamava-me enguiço! Eu sorria, sem me escandalizar. «Enguiço» era com efeito o nome que me davam na casa – por eu ser magro, entrar sempre as portas com o pé direito, tremer de ratos, ter à cabeceira da cama uma litografia de Nossa Senhora das Dores que pertencera à mamã, e corcovar. Infelizmente corcovo – do muito que verguei o espinhaço, na Universidade, recuando como uma pega assustada diante dos senhores lentes; na repartição, dobrando a fronte ao pó perante os meus directores-gerais. Esta atitude de resto convém ao bacharel; ela mantém a disciplina num Estado bem organizado; e a mim garantia-me a tranquilidade dos domingos, o uso de alguma roupa branca, e vinte mil réis mensais.
Não posso negar, porém, que nesse tempo eu era ambicioso – como o reconheciam sagazmente a Madame Marques e o lépido Couceiro. Não que me revolvesse o peito o apetite heróico de dirigir, do alto de um trono, vastos rebanhos humanos; não que a minha louca alma jamais aspirasse a rodar pela Baixa em trem da Companhia, seguida de um correio choutando; – mas pungia-me o desejo de poder jantar no Hotel Central com champanhe, apertar a mão mimosa de viscondessas, e, pelo menos duas vezes por semana, adormecer, num êxtase mudo, sobre o seio fresco de Vénus. Oh! moços que vos dirigíeis vivamente a S. Carlos, atabafados em paletós caros onde alvejava a gravata de soirée! Oh! tipóias, apinhadas de andaluzas, batendo galhardamente para os touros – quantas vezes me fizestes suspirar! Porque a certeza de que os meus vinte mil réis por mês e o meu jeito encolhido de enguiço, me excluíam para sempre dessas alegrias sociais, vinha-me então ferir o peito – como uma frecha que se crava num tronco, e fica muito tempo vibrando!
P.e António Vieira, Sermão da Circunscrição da Ironia Queirosiana, parte I.
Posted by AbelBB at 21:15
terça-feira, 17 de abril de 2007
O brandy e o telescópio
— Aqui tens tu, Zé Fernandes (começou Jacinto, encostado à janela do mirante), a teoria que me governa, bem comprovada. Com estes olhos que recebemos da Madre natureza, lestos e sãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida, naquela loja, uma vidraça alumiada. Mais nada! Se eu porém aos meus olhos juntar os dois vidros simples dum binóculo de corridas, percebo, pôr trás da vidraça, presuntos, queijos, boiões de geleia e caixas de ameixa seca. Concluo portanto que é uma mercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Se agora, em vez destes vidros simples, eu usasse os do meu telescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, no planeta Marte, os mares, as neves, os canais, o recorte dos golfos, toda a geografia dum astro que circula a milhares de léguas dos Campos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olho primitivo, o da Natureza, elevado pela Civilização à sua máxima potência de visão. E desde já, pelo lado do olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubro realidades do Universo que ele não suspeita e de que está privado. Aplica esta prova a todos os órgãos e compreenderás o meu princípio. Enquanto à inteligência, e à felicidade que dela se tira pela incansável acumulação das noções, só te peço que compares Renan e o Grilo... Claro é portanto que nos devemos cercar da Civilização na máximas proporções para gozar nas máximas proporções a vantagem de viver. Agora concordas, Zé Fernandes?
Não me parecia irrecusavelmente certo que Renan fosse mais feliz que o Grilo; nem eu percebia que vantagem espiritual ou temporal se colha em distinguir através do espaço manchas num astro, ou através da Avenida dos Campos Elísios presuntos numa vidraça. Mas concordei, porque sou bom, e nunca desalojarei um espírito do conceito onde ele encontra segurança, disciplina e motivo de energia. Desabotoei o colete, e lançando um gesto para o lado do café e das luzes:
— Vamos então beber, nas máximas proporções, brandy and soda, com gelo?
Posted by AbelBB at 15:38
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Longa vida aos espirituosos*!
Un homme seul est toujours en mauvaise compagnie.
Paul Valéry
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 21:56
terça-feira, 10 de abril de 2007
Lição do galo
— São muito azedos, os teus espirituosos…
— Meus? Que raio de ideia. Encontro-os sem os procurar, colijo-os sem lhes pedir licença, estropio, trunco, altero… são tudo menos meus, se no possessivo queres insinuar algum sinal de respeito ou reverência da minha parte.
— Por acaso não queria nada de semelhante. Assim mesmo é que me parecem mais teus. Mas disse “teus” porque és tu que os papagueias, só isso. E que são azedos, são.
— Querias espirituosos alegres?
— Não, nem tanto, mas alguma boa disposição, algum humor leve, sei lá…
— Ora, ora. Para que queres tu isso? O galo canta até na manhã em que vai acabar na caçarola.
— Hmm, cheira-me que isso não é teu…
Posted by AbelBB at 14:06
Longa vida aos espirituosos*!

Happiness is the perpetual possession of being well deceived.
Jonathan Swift
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 12:40
domingo, 1 de abril de 2007
Longa vida aos espirituosos*!
What ought to be done to the man who invented the celebrating of anniversaries? Mere killing would be too light.
Mark Twain
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 19:48
Os malefícios da proibição
Gostas de citar, meu lindo? (Que raio de maneira de começar. Haverá propósito?) Há tempos, deixaste a meio um texto sobre o tabaco, a proibição de fumar, os supostos direitos de quem não fuma, a diferença entre o tabaco e a cocaína (ou a heroína), que depois nem era relevante, e nem sei que mais. Sem punch line, o texto ficou paralisado; preterido. Mas gostas de citar, meu lindo? (Que coisa, isto volta: quem é este lindo a quem chamo meu?) O ponto, se não erro, era este: indesmentíveis que sejam os malefícios do tabaco, mais nefastos que indesmentíveis são os malefícios da proibição. É um ponto difícil de argumentar. Quem defenda o tabaco, e fume, defende-se sem dificuldade de maior. Quem não fume, mas suponha o tabaco um mal menor ou ainda um benefício, dirá isso mesmo. Já quem entenda que o tabaco empesta o ar terá maior dificuldade em repudiar a proibição enquanto proibição. O bom senso diz que ao Estado compete proibir o nefasto. Como podemos repudiar que se fume em locais públicos e ao mesmo tempo que se proíba o tabaco em locais públicos? Enfim, gostas de citar, meu lindo? Aqui vai o exemplo que ilustra a necessidade da distinção difícil: «Foi preciso que o Parlamento levasse um boa bofetada na cara, mas mais vale tarde do que nunca. Que o dr. Correia de Campos, do alto da sua autoridade, obrigue o proprietário de um restaurante a impedir a sua clientela de fumar não impressionou os senhores deputados. Que o Estado resolva impor uma regra geral que exclui a hipótese de os fumadores frequentarem restaurantes de fumadores também não colidiu com a sensibilidade democrática da Assembleia. Agora que o grupo parlamentar socialista interfira na comodidade e nos vícios de cada um é verdadeiramente grave. As leis, como toda a gente sabe, são para a canalha. A canalha que as cumpra e cale o bico. Os senhores deputados, pelo contrário, têm direitos. Por exemplo: no avião de Sócrates, que os contribuintes pagam, fuma quem quer e o ar até se torna ‘quase irrespirável’. Assim é que é; e assim é que deve ser em S. Bento.» Acutilante, preciso: e vindo dum defensor do tabaco (Vasco Pulido Valente), claro, fumador, claro, mais ajuda, e até foi hoje (Público, lá para a última página, sublinhados meus). Gostas de citar, meu lindo?
Posted by Harpo at 12:53
sábado, 31 de março de 2007
Longa vida aos espirituosos*!
Television is where you watch people in your living room that you would not want near your house.
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 21:27
sexta-feira, 30 de março de 2007
Televisão e tragédia
— Anda para lá meio mundo a debater, e outro meio a não querer debater, aquele concurso ou lá o que é, em que ganhou o Salazar.
— Ouvi falar. Chegou aqui ontem um desgraçado que contou mais ou menos tudo. Ouvi-o a dizer ao Aristides: Foste um herói, mas não fizeste nada por Portugal. Claro, não? Só é grande português quem faz alguma coisa por Portugal. O nacionalismo é sempre estreito…
— Mas está certo, homem. Repara bem: o português é definido por.. Portugal. O país dá-lhe um traço de identidade, coisa enorme, património, riqueza inestimável. E ele tem de retribuir: será grande ou pequeno conforme a retribuição.
— Enfastiam-me, essas tuas subtilezas parvas. Não se consegue manter nenhuma conversa de jeito. Chiça! Penico!
— Chapéu de coco, sapatos de ténis, colete de fantasia, ó écloga, Zé Pinto Basto, sua cadela está mais magra do que um cão.
— Isso pelo menos não tem nada de subtil…
— Nada. Mas tem calma, televisão é televisão, tem um efeito, como direi, teatral, catártico, higiénico mesmo, arrisco mais: educativo.
— Não me repitas a treta de que ias ler um livro para o lado quando a ligavam…
— Não, nada disso. Tenho outra definição da televisão: é a possibilidade de estarmos na nossa sala, tranquilos, protegidos, a ver pessoas que não gostaríamos mesmo nada de ter na vizinhança.
— Isso é mais ou menos o mesmo que dizer que vale para nós o que a tragédia representava para os gregos.
— Qual mais ou menos! é exactamente o mesmo. Ou seria... se não fosse só uma piada.
Posted by AbelBB at 12:29
quinta-feira, 29 de março de 2007
Outros planos
— Olha só isto que encontrei agora mesmo…
— O quê? mostra, mostra…
— É uma frase, uma frase do John Lennon: life is what happens to you while you are busy making other plans. Que me dizes?
—Digo que só pode ser plágio, o tipo pilhou em qualquer lado.
— Não estás a ser preconceituoso? Só porque é uma boa frase não pode ser dele?
— Mas não é uma boa frase, homem! “Outros planos”? Que "outros"? Outros em relação a quê? O “outros” está a mais.
— Em português estaria, mas o inglês…
— Ora, o inglês. Qual quê! só pode ser plágio. Outros planos… pfff.
Posted by AbelBB at 21:47
quarta-feira, 28 de março de 2007
Longa vida aos espirituosos*!
Posted by AbelBB at 10:05
sexta-feira, 23 de março de 2007
Desconchavando
— Hei, homem, por onde tens andado…
— … que tão farta lã tens criado!
— Cheio de espírito, o espírito!
— Reconheço que sim. O crescimento da sabedoria mede-se precisamente pela diminuição do mau humor.
— Ora, a saúde é um estado precário que não augura nada de bom.
— Concordo. Aliás, ninguém sabe o que Colombo teria descoberto se a América não estivesse no caminho.
— Nem mais. Um coxo apesar de tudo caminha.
— E até um olho de vidro vê a própria cegueira.
— Que quer isso dizer?
— Que na luta de ideias são sempre as pessoas que morrem.
— Ah, vejo. Numa avalanche nenhum floco de neve se sente responsável.
— Verdade. Mas a primeira condição para a imortalidade é a morte.
— Tal como a principal causa do divórcio é o casamento.
— Mas não concordo que se use a morte nem como castigo nem como recompensa.
— Então não perguntes a Deus o caminho a seguir para a felicidade, ele indica sempre o mais difícil.
— E se um canibal comer de garfo isso é um progresso?
— Vamos parar com isto?
— Melhor, sim. Está tudo nas mãos do homem, por isso é melhor lavá-las com frequência.
Posted by AbelBB at 20:46
quinta-feira, 15 de março de 2007
Longa vida aos espirituosos*!

Je ne dispute donc pas que la médicine ne soit utile à quelques hommes, mais je dis qu'elle est funeste au genre humain.
Jean-Jacques Rousseau
*Ordinariamente, chamam-se, à francesa — espirituosos — uns sujeitos dotados de génio motejador, aplaudidos com a gargalhada, e aborrecidos àqueles mesmos que os aplaudem. [Camilo, “Gracejos que matam”, Novelas do Minho.]
Posted by AbelBB at 12:35
terça-feira, 13 de março de 2007
Afinal, afinal...
... a loja não fechou (advirto porém o dono a tomar cautela e a abster-se de mencionar a morte no contexto). Depreendo que foi considerada e adoptada a solução que apresentei. Foi? Deve ter sido. Foi, seguramente. Só pode. Ou então a coincidência é muitíssima e fortuita. Possível, sim, mas tão extraordinária, que apenas a julgo comparável à invenção do cálculo infinitesimal por Leibniz e Newton, ao mesmo tempo e independentemente um do outro, e à descoberta da selecção natural, por Darwin e Wallace, idem. Caramba, que estímulo! que grandeza!
Posted by Harpo at 19:18
sexta-feira, 9 de março de 2007
A morte foi no ano passado
— Já viste? Alguém deu pela passagem do primeiro aniversário da tua morte.
— Ah, o Sr. Mourão… Curioso, ele que foi o último a chegar...
— Mas não é mais ou menos sempre assim?
— Assim como?
— Então... o que chega depois, o que vem demasiado tarde, o que se afirma pela consciência dos predecessores sem se lhes sujeitar, e demais com mortos à mistura, esse, e só esse, pode perceber e dizer que tu eras a alma daquilo.
— Ah... Eu era a alma daquilo... Caramba, rapaz, e se eu era a alma daquilo. Mas se alma era, alma continuo, não é? Nem sequer penada: de nada, alma de nada, ou da eternidade do vazio, ou da voluptuosidade do nada, do lado de cá do mistério, ou do...
— Eh lá, chega! Estás a deprimir-me.
Posted by AbelBB at 13:10
quinta-feira, 8 de março de 2007
Plágio

Laurence Sterne, que no grande Tristram Shandy copia outros autores extensiva e sub-repticiamente, também enviou à amante cópias das cartas que escrevera à mulher anos antes. A coisa é meio grosseira, mas será plágio? Não causou nenhum dano e até pode ter criado alguma mais-valia: Sterne pode ter pensado que as cartas que escreveu à mulher continham as suas mais sentidas e eloquentes declarações de amor, que não poderia melhorá-las e que, por isso, se ainda assim tivesse escrito outras para a amante, seriam inferiores e não conseguiriam exprimir a sua paixão. É claro que a mulher e a amante haveriam de ficar furiosas se tivessem descoberto. Talvez considerassem Sterne preguiçoso, falso, oportunista. Em qualquer caso, o que as agastaria não seria a cópia mas o que na cópia se revelava do carácter de Sterne. Não seria o plágio de si mesmo a causar algum prejuízo: seria a descoberta do plágio.
Posted by Harpo at 19:50
terça-feira, 6 de março de 2007
A solução
Pode ser, porém, problema de pessoas individuais, a que eventualmente escapem as colectivas. Parece que Rembrandt assinava quadros dos discípulos: não porque quisesse apropriar-se deles, mas para certificar que estavam a altura dele, o mestre. Daí que a solução não seja o blogue colectivo, mas a pessoa colectiva. Em vez de mil blogues a imitar Pedro Mexia — é um exemplo —, mil bloguistas a escrever para um único blogue — o de Pedro Mexia, para continuar o exemplo —, com todos os posts assinados por Pedro Mexia — é o mesmo exemplo, sim —, que assim certificava que tudo aquilo teria a “qualidade Mexia”, embora não tivesse sido escrito por ele, Mexia (mero exemplo).
Rarefaziam-se os blogues, extirpavam-se as pretensões de originalidade e expressividade, dava-se sério golpe nessa pretensão de autoria, e enfim deixava-se escrever quem quer escrever — o mais importante.
Posted by Harpo at 17:22
Plagiemos!
— Lançamos a campanha ou não? Começamos hoje?
— Não sei, tenho ainda algumas dúvidas. Preciso de pensar melhor antes de entrar nisso.
— Ora, deixa de ser timorato. É preciso audácia, muita audácia, a sorte protege os audazes, etc. Aliás, o que é que te pode acontecer? Nada absolutamente! Nada mais incomensurável do que o desdém dos mortos, como sabes…
— Eu sei, mas… uma campanha para reabilitar o plágio?!
— É uma grande ideia! Uma ideia enorme… sobretudo porque prática. Mas nada de reabilitar: apenas praticar. Sem propósito de espécie nenhuma. Prática. De preferência cega. Nada de teorias.
— Mas é impossível voltar à época barroca…
— Vês? Percebes porque és timorato? Lá estás tu com teorias e análises e analogias e conexões e o caraças. Nada disso. Prática, mera prática. Levar por diante o plágio. Plagiemos!
— Plagiemos?!
— Sim, é essa a campanha, homem. Plagiemos! Vamos todos plagiar. Cada romancista, cada poeta, cada jornalista, cada miserável bloguista deve plagiar, deve abster-se de escrever coisa sua e passar a publicar exclusivamente coisas pilhadas a outros. Aí é que se vai ver quem presta, quem tem coisas para dizer, quem sabe e quem não sabe… E que higiene, meus Deus! que limpeza! que aragem fresca no impresso!
— Como na época barroca, portanto.
— Como queiras. Se queres começar já a plagiar é contigo. Aliás, apoio, aliás, aplaudo. Plagiemos. Todos. Aí é que se vai ver quem presta, quem tem coisas para dizer, quem sabe e quem não sabe…
— Começo a ver os contornos da ideia, sim. Hmm… plagiemos, sim, plagiemos… Percebo: nem teorias nem análises nem analogias nem conexões nem o caraças. Nada disso.
— Prática, mera prática. Levar por diante o plágio. Mas nada de reabilitar, ouviste? Nada de propósitos altos ou baixos, graves ou cómicos.
— Como queiras, então. Se queres começar já a plagiar é contigo. E comigo. Aliás, apoio, aliás, aplaudo. Plagiemos. Todos.
Posted by AbelBB at 15:30





